MATEMÁTICA NA HORTA: TURMA 712 TRANSFORMA ESPAÇO DA ESCOLA EM SALA DE AULA.
Medir, calcular, comparar e elaborar um orçamento. Foi assim que 28 estudantes aprenderam Matemática a partir de uma situação real dentro da Horta Escolar JP – Saberes e Sabores.
Na manhã desta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, às 7h30, a turma 712 da Escola Estadual José do Patrocínio teve uma aula diferente. O quadro branco e as carteiras foram levados para a área externa do prédio da escola, mais precisamente, o espaço da horta escolar, onde uma simples trena tornou-se uma ferramenta de aprendizagem.
A atividade foi conduzida pela professora Adriny Maíse, licenciada em Matemática pela Faculdade Madre Tereza, e integrou o projeto Horta Escolar JP – Saberes e Sabores, coordenado pela professora Maria José Vaz Dias.
A proposta tinha um objetivo bastante prático: utilizar os conhecimentos matemáticos estudados em sala de aula para medir o espaço da horta, calcular perímetro e área e, posteriormente, utilizar essas informações na elaboração de um orçamento para sua manutenção e reforma.
Ou seja, naquele momento, a Matemática tinha um problema real para resolver.
A atividade não começou diretamente na horta, antes da prática, a professora Adriny retomou com os estudantes os conteúdos que seriam utilizados durante a aula. No quadro branco, explicou novamente conceitos relacionados às medidas de comprimento e apresentou a maneira correta de utilizar a trena.
A turma também recebeu orientações sobre como seria o trabalho e foi organizada em grupos de cinco estudantes.
A professora Maria José aproveitou o momento para apresentar aos alunos o projeto Horta Escolar JP – Saberes e Sabores e explicar a importância daquele espaço para a comunidade escolar.
| Professora Maria José Vaz Dias - Coordenadora do Projeto Horta Escolar JP - Saberes e Sabores. |
Em sua fala, deixou uma mensagem simples aos estudantes:
“Isso é de vocês, para vocês. Cuidem bem do que é nosso!”
A frase não ficou apenas no discurso. Logo depois, os alunos precisariam utilizar o próprio espaço da horta para realizar a atividade proposta.
Os estudantes foram para o espaço com uma tarefa definida: medir.
Cada grupo recebeu uma trena e começou a coletar as informações necessárias. Enquanto alguns alunos manuseavam o instrumento, outros anotavam os resultados e acompanhavam os cálculos.
A atividade exigia atenção. A trena precisava estar corretamente posicionada e esticada para que a medida obtida fosse a mais precisa possível.
As professoras Adriny e Maria José acompanharam os grupos durante todo o processo, esclarecendo dúvidas e ajudando os estudantes quando necessário.
Foi uma cena simples, mas bastante significativa: alunos trabalhando juntos, discutindo medidas, conferindo números e tentando chegar aos resultados corretos.
E havia outro detalhe que chamava atenção: os estudantes estavam envolvidos com a tarefa.
Entre uma medida e outra, havia concentração, conversa, dúvidas e até sorrisos.
Depois que as medidas foram coletadas, os estudantes voltaram para perto do quadro branco.
Agora começava uma segunda etapa da aula. A professora Adriny explicou que as informações obtidas na horta poderiam ser utilizadas para ajudar a professora Maria José em uma necessidade concreta: pensar nos custos de manutenção e reforma daquele espaço.
Foi então que os números coletados pelos próprios alunos começaram a ganhar uma função prática.
Os grupos trabalharam com medidas de comprimento, perímetro e área, relacionando os resultados ao planejamento dos materiais e aos possíveis custos envolvidos.
Cada equipe realizou seus cálculos e começou a organizar seu próprio orçamento.
Como era de se esperar, alguns grupos chegaram a resultados diferentes e isso também virou conteúdo.
A professora Adriny chamou a atenção dos estudantes para a importância de realizar corretamente cada etapa da medição:
“Essa diferença que aparece é porque a trena não foi esticada totalmente. Qualquer alteração na medida altera o valor final do orçamento. Temos que prestar atenção nisso.”
A atividade trabalhou conteúdos de medidas de comprimento, geometria e Educação Financeira, mas colocou esses conhecimentos diante de uma situação que os estudantes conseguiam enxergar e compreender.
Ao colocar a Matemática diante de uma necessidade concreta, a professora Adriny conseguiu fazer com que os alunos utilizassem diferentes conhecimentos ao mesmo tempo: medir, registrar, calcular, conferir, discutir e tomar decisões em grupo.
Outro ponto importante da atividade foi o trabalho coletivo. Os estudantes não receberam simplesmente todas as respostas prontas. Eles precisaram participar da construção dos resultados.
A professora Adriny permaneceu próxima aos grupos durante a atividade, orientando os estudantes e ajudando-os a compreender onde estavam os erros e como poderiam corrigi-los.
Quando a campa foi tocada pelo senhor Paulo Garça, anunciou o fim dos dois horários de matemática, os grupos já haviam concluído suas atividades.
No papel estavam as medidas, os cálculos e os resultados. Mas a principal aprendizagem daquela manhã não estava somente nas anotações e nos cálculos ali feitos.
Estava na experiência de perceber que aquilo que é aprendido em sala pode ser utilizado para resolver uma situação existente dentro da própria escola ou quem sabe em suas próprias casas ou comunidade.
A professora Adriny não precisou levar para a escola uma situação fictícia para que os estudantes aplicassem a Matemática. O problema já estava ali. A aula da turma 712 mostra uma possibilidade bastante concreta de trabalhar os conteúdos escolares a partir do ambiente em que os estudantes estão inseridos.
Ao utilizar a Horta Escolar JP – Saberes e Sabores como espaço para a atividade, a professora Adriny Maíse aproximou conceitos matemáticos de uma situação real vivenciada pela comunidade escolar.
No fim, a horta continuou sendo uma horta. Mas, naquela manhã, também foi sala de aula, laboratório de Matemática e espaço de trabalho coletivo.
Parabéns Professora Adriny Maíse pelo belo trabalho.