ELA SÓ TINHA UM PANEIRO E UM SONHO
No dia 4 de junho de 2026, a Escola José do Patrocínio viveu mais uma edição de sua tradicional festa junina, um dos momentos mais aguardados do calendário escolar por alunos, servidores e pela comunidade. Mas não estou aqui para falar especificamente sobre o evento. Essa missão já foi muito bem cumprida pelo meu amigo e companheiro da Rádio Escola JP WEB, professor Antonio Góes de Almeida Júnior.
Hoje, quero contar uma história. Não qualquer história. Quero falar sobre a menina que só tinha um paneiro e um sonho.
Estou falando da aluna Ana Alice, da turma 711 do turno matutino da Escola José do Patrocínio.
Vamos lá!
Uma a uma, as candidatas entravam na quadra para suas apresentações. Havia beleza, energia, dança, cenários elaborados, explosões de cores, acessórios impressionantes, efeitos visuais e até narradores. Tudo cuidadosamente preparado para garantir apresentações memoráveis. E, de fato, nossas misses deram um verdadeiro espetáculo ao público presente, algo realmente inesquecível.
Então chegou a vez dela.
Sem alarde, Ana Alice a mais infantil das misses, adentrou a quadra e foi direto ao centro, sua presença unia fantasia, tradição e delicadeza em uma combinação simples que de imediato não chamou a atenção direta de todos os presentes.
O vestido lembrava o de uma princesa das histórias infantis. O corpete ajustado, confeccionado em tecido xadrez azul-claro e branco, que ao meu ver, simbolizava a simplicidade e a alegria das festas do interior. As mangas bufantes, adornadas por rendas e babados dourados, acrescentavam um toque de nobreza ao figurino. A saia volumosa, formada por várias camadas de tecido leve, criava um efeito de movimento que transformava cada passo em uma pequena cena de magia. Os detalhes em amarelo e verde faziam referência ao tema da festa — o Brasil na Copa do Mundo de Futebol — enquanto as rendas brancas reforçavam a leveza e o encanto de sua personagem.
O cabelo trançado adornados por fitas coloridas que dançavam ao ritmo de seus movimentos. A maquiagem artística destacava o brilho do olhar e a alegria estampada em cada sorriso.
Nos pés, as botas pretas davam firmeza à coreografia. Cada passo revelava determinação, segurança e a vontade de quem sonhava em se tornar a rainha do arraial.
Mas não era apenas a beleza do figurino que chamava a atenção.
Ana Alice transformou o centro da quadra em seu palco particular. Ela explorou todo o espaço destinado às misses, ocupando cada canto com movimentos precisos e cheios de energia. Sua dança percorria a arena junina como se estivesse desenhando uma história diante dos olhos do público. A cada giro, a cada passo e a cada mudança de direção, ela convidava os espectadores a acompanharem sua jornada.
E nessa jornada havia um companheiro: um simples paneiro.
À primeira vista, apenas um elemento cenográfico decorado com fitas e cores. Nada muito sofisticado.
Mas, nas mãos de Ana Alice, aquele paneiro ganhou vida.
Longe de permanecer imóvel como um simples adereço, ele fazia parte da coreografia. Era incorporado aos movimentos da dança, acompanhava os giros, marcava momentos importantes da apresentação e ajudava a contar a história que ela desejava transmitir. O paneiro deixava de ser um objeto para tornar-se símbolo.
Dentro dele os sonhos de uma menina, e quem sabe, a esperanças de tantas crianças ali presentes que sonhavam serem rainhas.
Ou simbolizava as tradições amazônicas que resistem ao tempo e continuam vivas em nossa cultura.
Só sei que, não era apenas um paneiro.
Era parte da história.
Era parte da personagem.
Era parte do encanto.
O conjunto formava a imagem perfeita de uma verdadeira Miss Caipira Amazônica: graciosa, vibrante e cheia de personalidade, conduzindo o público por uma viagem entre a fantasia dos contos encantados e a força das tradições do Norte do Brasil.
Sua apresentação, seu carisma e sua energia contagiaram completamente o público. Os aplausos cresceram, os gritos ecoaram pela quadra e, por alguns minutos, antes mesmo de qualquer resultado oficial, a multidão havia tomado sua decisão.
Ali, naquele instante, Ana Alice era a Miss Caipira do povo, por exatos cinco minutos.
Cinco minutos que pareciam eternos para os ali presentes.
Sua apresentação foi uma das mais aplaudida da noite.
E como disse a professora Maíse Oliveira (História), cheia de sentimentos: “- Ela tinha apenas um paneiro e um sonho!”
A montagem musical utilizada em sua apresentação foi inspirada na performance da Miss Caipira paraense Glaucy Oliveira, em 2024. E, assim como sua inspiração, Ana Alice transformou música e dança em emoção.
Ao final da competição, o resultado oficial apontou outra vencedora. Afinal, o regulamento estabelecia que a venda de votos era um dos critérios decisivos para a conquista do título, que claro, não tira o mérito da vencedora, pois todas deram o seu melhor ali, naquele momento.
Mas existem vitórias que não cabem em troféus.
Existem conquistas que não dependem de faixas, coroas ou certificados.
Existem momentos em que o coração de uma plateia inteira escolhe sua campeã.
E naquela noite, para muitos dos que estavam presentes, Ana Alice venceu.
Porque ela provou que os maiores espetáculos nem sempre nascem daquilo que temos, mas daquilo que somos capazes de fazer com o que temos.
Ela entrou na quadra carregando um simples paneiro.
Saiu dela carregando a admiração de uma escola e uma comunidade inteira.
Viva São João!
Viva a nossas crianças!
Viva a educação!
E viva a Escola José do Patrocínio!





Parabéns pela narrativa da apresentação desta candidata que encantou o público presente.
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